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Como escolher um purificador de ar

Começa por uma pergunta que a maior parte dos guias salta: precisa mesmo de um.

O que um purificador faz, exatamente

Puxa o ar da divisão com uma ventoinha, faz passá-lo por um filtro que retém partículas sólidas em suspensão, e devolve-o. Pó, pólen, pelo, caspa de animal, fumo. É isso.

Um filtro de partículas não retém gases. Se houver carvão ativado no conjunto, esse retém alguns compostos em fase gasosa, incluindo os que se cheiram, até saturar. Se não houver, o cheiro passa ao lado do filtro sem qualquer efeito.

Não fazemos, em nenhuma página deste site, afirmações de saúde. Não dizemos o que um purificador faz a alergias, a asma, a infeções ou a qualquer condição médica, porque não temos base para o dizer e porque não é esse o nosso trabalho. Publicamos partículas retiradas do ar, medidas em caudal. Para o resto, fale com um profissional de saúde.

Quatro casos em que a resposta não é um purificador

Vale a pena ler isto antes de gastar dinheiro

Ventilação resolve mais, e é grátis. Se o ar de casa está pesado ou abafado, dez minutos de janela aberta por dia fazem mais do que qualquer aparelho vai fazer numa hora. Um purificador recircula o ar que lá está; não traz ar novo nenhum. Se pode arejar, areje primeiro e veja se o problema desaparece.

Se o problema é humidade, a máquina é outra. Vidros embaciados, manchas nos cantos, roupa que não seca. Nada disso é partículas, e um purificador não retira uma gota de água do ar. A comparação entre as duas máquinas está aqui, e inclui porque é que as 2 em 1 costumam fazer mal as duas coisas.

Se o problema é cheiro de cozinha, é extração. Um exaustor com saída para fora retira o cheiro antes de ele se espalhar. Um purificador trata o resíduo depois de a casa toda já cheirar, o que é uma resposta muito pior ao mesmo problema.

Se não sabe se tem um problema, meça. Um medidor de partículas responde à pergunta em poucos dias e não obriga a acreditar em ninguém. Vale a pena antes de decidir, e pode acabar com a decisão de não comprar nada.

Se depois disto ainda faz sentido, decida por esta ordem

1. A divisão, e a conta que quase ninguém faz

A área anunciada na caixa não é a área que o aparelho cobre para o seu problema. Essas áreas são calculadas a um ritmo de renovação de ar baixo, à volta de uma vez e meia por hora. Para uma fonte contínua de partículas adotamos cinco renovações por hora como premissa uniforme de comparação, e a área calculada passa para menos de um terço da anunciada. É a mesma máquina e a mesma sala.

A conta é simples: área × pé-direito × renovações por hora dá o caudal necessário em metros cúbicos por hora. Mostramo-la com uma calculadora que compara o resultado com o caudal publicado de cada unidade.

2. O caudal publicado, e o que fazer quando não existe

16 das 31 unidades que analisámos não publicam caudal nenhum. Publicam áreas. Sem caudal não há forma de saber a que ritmo aquela área foi calculada, o que significa que não são comparáveis com nada, nem sequer entre si.

Não é razão automática para as excluir, e nós não as excluímos. É razão para saber que está a comprar a palavra do fabricante em vez de um número verificável, e para exigir mais das que publicam.

3. O ruído, se o aparelho vai ficar num quarto

Os valores declarados na nossa amostra vão de 13 dB a 68 dB na velocidade mais baixa. É uma diferença enorme, e decide uma coisa muito prática: se o aparelho fica ligado à noite ou se é desligado ao fim de três dias. Um purificador desligado não filtra nada, por muito bom que seja o caudal.

4. O custo do filtro, que é a maior parte do custo

O preço do aparelho é uma vez. O filtro é todos os anos, às vezes duas vezes por ano. Conseguimos resolver a referência exata do consumível para seis das trinta e uma unidades que analisámos, e em duas delas a única listagem que existe não estava sequer disponível no dia em que verificámos.

A tabela de compatibilidade está aqui, incluindo as linhas que não conseguimos resolver. Comprar um aparelho cujo filtro não se encontra é comprar um problema adiado.

5. Funções adicionais, com a expetativa certa

Ionização, ozono e UV não são filtragem: são funções acrescentadas ao lado do filtro. Não fazemos afirmações de eficácia nem de segurança sobre nenhuma delas, e explicamos essa posição por inteiro no guia dessas tecnologias. Se uma unidade lhe interessa por causa do filtro, pode escolhê-la e deixar a função desligada.

Perguntas que aparecem sempre

Devo deixá-lo ligado o tempo todo? Se a fonte de partículas é permanente, sim, e é para isso que o consumo importa. Se é um pico, como cozinhar, faz mais sentido ligá-lo forte durante meia hora.

Onde é que o ponho? Afastado da parede e dos móveis, com espaço à volta da entrada de ar, e no sítio onde passa mais tempo. Encostado a um canto, o aparelho recircula o mesmo metro cúbico.

Preciso de um por divisão? Para um efeito real, sim. O ar não circula livremente entre divisões com portas fechadas, e um aparelho de sala não faz nada ao quarto.

E as afirmações sobre bactérias e vírus nas caixas? Não as reproduzimos e não as avaliamos. Este site publica o que um filtro faz a partículas em suspensão, com o caudal declarado pelo fabricante, e nada mais do que isso.

A gama alta é melhor? Nesta amostra, não de forma fiável. A unidade com melhor relação entre caudal publicado e área anunciada não tinha sequer destino comercial utilizável, e várias das unidades de topo não publicam caudal nenhum.